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poesia Aziul D`Aire

Aziul D`Aire

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Entre os vários eus... entre os vários tempos...entre os vários vazios
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Obrigada por este acolhedor cantinho e pelos belos textos que partilhas connosco.
 
Alexandra
Jan. 4
November 07

Blogue

Um convite...uma visita ao blogue http://palavrasdecal.blogspot.com/
May 14

Dedaleira venenosa


Se o Amor fosse um monumento

seria, por certo, uma frágua disforme,

cheia de poros de sal, musgos e cal,

rugas talhadas em séculos pela água.

Seria assim - rocha cortante, imperfeita,

que ninguém consegue escalar e segurar o futuro.

Seria uma rocha altiva, nua e perdida

entre as orquídeas bravas da serra .


Eu iria vigiá-la qual dedaleira venenosa,

pronta a matar os incautos domingueiros

que a ti se encostassem para a fotografia

de mais um passeio banal, ao fim da tarde.

Eles repousariam inconscientes do perigo

que eu sou quando se aproximam de ti:

monumento perpetuamente inacabado

onde a verdade perde o nome e o corpo,

ao qual, sorrindo, ofereço este copo assassino.


Vem, brindemos os dois com a cicuta da serra,

na sombra da frágua perdida, elevada aos céus...



May 09

Sombra


Na feira perfumada das vaidades

há flores florindo desmedidas,

misturam-se nas calçadas com

as águas intranquilas das praças

onde esta sombra avança muda.

Ela não é o meu corpo distorcido,

cortado pela luz do meio-dia,

ela é um resto incauto de ti,

que entre mim e a vida quotidiana

teima em interpor-se anonimamente.


Invento-te nas palavras que hoje

descarno, distante das brumas e

das esquinas pintadas de noite,

onde nos costumamos corporizar.

Hoje apareces aqui neste chão de pó,

marcado pelos rastos dos animais,

na aurora pálida de silêncio intacto,

na harmonia fingida das palavras

que procuro para te surpreender.


Queria-te hoje presente, de cara destapada,

além da minha sombra, além do nosso tempo,

para além deste poema que rasguei mil vezes,

pois ele é apenas um tronco morto, náufrago,

um resto daquilo que te queria gritar a nu,

mas que as palavras teimam sempre em abafar.


April 17

Lírios

 

Lírios


Entre um olhar e um sorriso

a idade inocente dos lírios,

adocica o ar morno da sala

e apesar das janelas metálicas

despontam braços alados

elevando-me além dos telhados,

além das convenções diárias

dos papéis definidos e pardos.


Na ignorância deste mistério

esfuma-se um perfil de anjo,

fingindo-se chama diabólica

enigma de pássaro tímido,

que nas margens dos outros

se torna presente aqui:

entre os lírios da jarra

e as palavras luminosas

que os copos mudos bebem,

entre um golo e um olhar

perdido na noite solitária,

roída pela fome de afecto.

 
April 08

Jogo

O rasto de uma linha perdidamente obtusa

rasga a escuridão pálida dos olhares castrados,

umas asas diabolicamente soltas e sombrias

pairam na escuridão nervosa de uns dedos que

procuram a entrega explosiva da carne madura.

                       

Não eram estas palavras de zinco que te queria atirar,

mas todas aquelas de significado insuspeito e bravio

despojos da loucura e das rugas anunciadas no fumo,

restos de tudo o que julguei ser, além quotidiano.

 

Finjo o que nunca fui, só para volteares na luz

inebriado, aprisionando quem ao toque não sou.

Invento-me só para te poder raiar na distancia

da noite, numa conversa branca que esconde o

lado oculto das pedras negras renegadas ao sol..

 

As palavras sorriem em diagonal, mascaradas

mas sei que consegues ler o que te está vedado,

embora finjas não ver, não sentir, não querer...

 

Este é afinal um jogo corrosivo, disputado e negado a dois.

 

 
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